O dever chama-me

 

 

O dever chama-me mas o desejo atrai-me. Sinto saudades de caminhar pelo pensamento, passear entre palavras e definir-me nas frases. Quero sentir o prazer que tenho em brincar com as letras, soltar-me em histórias minhas, nossas e dos outros. Vagueio indecisa entre a necessidade de continuar e a obrigação de ficar.

 

Percebo que renasço sempre que uso a palavra escrita. Faço uma pausa, interiorizo uma desculpa esfarrapada, peço companhia a uma chávena de café e viajo pelas ideias em forma de letras. Hoje preciso da companhia das letras, quero caminhar entre palavras intensas tal e qual personagens de emoções fortes. Quero enroscar-me em palavras meigas fruto de momentos que valem a pena. Soltam-se sonhos de um passado onde o presente não lhe fica indiferente. Sonha-se, estabelecem-se metas e definem-se objectivos. Oscila-se, como é hábito, entre o racional e o emocional entre o que nos emociona e a necessidade de meter mãos à obra.

 

Cansam-me os tempos onde a intensidade dos dias contrasta com a falta do tempo. Cansam-me os tempos onde as saudades de momentos meus não passam de miragens. Cansam-me os tempos onde o tempo não existe. Apetece-me parar o tempo. Viver o momento e voltar a acreditar em … pergunto-me os porquês e escuto-me em razões silenciadas.

 

Gosto do cheiro a café e do calor que me transmite nestes dias de chuva lá fora. Gosto do silêncio onde as palavras se limitam a vaguear entre pensamentos.

 

Entre palavras o dever chama-me enquanto os prazos se impõe . Despeço-me das letras, destas porque as outras esperam-me de uma forma assertiva impondo ideiais e conhecimento. Abandono o café que deixou de fumegar para se abandonar ao frio e volto para o mundo onde decidi entrar.

 

Gosto das letras gosto do cheiro a café ...

 

publicado por Marta às 19:39