Sábado , 11 de Setembro DE 2010

11 de setembro de 2001

No dia 11 de Setembro de 2001 senti que via um filme quando estava a ver uma realidade em directo na qual me recusava a acreditar. No dia 11 de Setembro de 2001 vi rostos em pânico e pânico nos rostos.

 

No dia 11 de Setembro de 2001 vi uma nação que chorava e um mundo que questionava.

 

No dia 11 de Setembro de 2001 estava grávida da filha mais nova e lembro-me de questionar se valeria a pena ter filhos para viverem num mundo onde se matam inocentes apenas porque sim.

 

Depois percebi que o mundo onde vivemos é feito de equilíbrios entre os bons e os maus, onde a perda de valores é uma constante, onde o ataque como defesa é uma certeza e onde nos esquecemos da equipa e trabalhamos como indivíduos isolados

 

Passados 9 anos desisti de tentar perceber e limito-me a pensar que um dia podemos fazer a diferença.

publicado por Marta às 00:01
Sexta-feira , 10 de Setembro DE 2010

O que mudou em 15 anos

Quando começo a escrever só sinto dificuldade na primeira frase ou na forma como devo ou não iniciar um texto. Hoje não foi diferente depois pensei “podia começar por dar os parabéns ao sapo depois os parabéns à equipa e depois afirmar, cheia de certezas, que aos 40 o sapo fez a diferença”.

 

Assim em ritmo acelerado recordo-me, por muito estranho que isso possa parecer, de ter uma cadeira de iniciação á informática no último ano do curso, recordo-me de ter trabalhado em lotus123 e em ms-dos, recordo-me de ecrans a preto e branco e a sensação estranha de trabalhar com um rato. A primeira vez que naveguei na Internet (há uns 12 anos) senti-me a pessoa mais importante do mundo porque, aquilo, só era para alguns. Os monitores emagreceram e os computadores passaram a caber-me na mala.

 

Assim num abrir e fechar de olhos a minha aparelhagem passou a caber-me no bolso das calças, as disquetes deixaram de ter qualquer utilidade, e os vhs passaram à historia (já vos disse que conheci os Beta?. Assim de repente o meu Siemens tamanho família transformou-se num objecto tão pequeno que a dificuldade em encontrá-lo sempre que toca é real. Assim num abrir e fechar de olhos passei a poupar um dinheirão em revelações de rolos que tinham quase sempre fotografias mal tiradas e passei a ter um arquivo digital invejável.

 

A minha televisão fez dieta e o clube de vídeo transferiu-se lá para casa. O ir á casa de banho só no intervalo passou a ser um mito histórico e espero a qualquer momento que os meus electrodomésticos ganhem vida própria.

 

Quase sem dar por isso deixei de escrever cartas e passei a escrever mails, deixei de perder contacto com aqueles que se mudam para longe e continuei a ter conversas entre lá e cá como se estivéssemos aqui. Quase sem dar por isso comecei a “conhecer” pessoas que vivem no outro lado do mundo, comecei a ter informação que nunca pensei ser possível e a adquirir informação detalhada sobre assuntos que me interessam. Quase sem dar por isso já começo a ter dificuldade em pegar numa caneta e instintivamente procuro o teclado mais próximo.

 

Na casa dos 40 posso afirmar que o sapo passou a ser a gaveta lá de casa. É no blog que escrevo o que me vai na alma, o que me apetece ou mesmo o que me sugerem. Foi no Blog que ganhei confiança no que escrevia e que deixei de ter vergonha de o mostrar. Foi no blog que conheci pessoas que hoje são importantes e que já não me imagino sem.

 

Na casa dos 40 posso afirmar que eu que sempre acreditei em príncipes um dia encontrei um sapo que tem dias me faz sentir rainha.

publicado por Marta às 11:42
Quinta-feira , 09 de Setembro DE 2010

Outono/Inverno

Será uma frase feita escrever que o tempo passa demasiado depressa mas foi isso que senti durante o verão. Sinto que passou tudo demasiado depressa talvez porque sou das que gosta de aproveitar até ao fim seja uma conversa, uma pessoa, uma paisagem ou simplesmente o silêncio.

 

Apesar de o tempo tentar contrariar as evidências, apesar da vontade ser pouca a verdade é que as rotinas vão-se reinstalar e as aulas (minhas e deles) começar. As novas actividades vão ser testadas e as minhas contas refeitas.

 

Sinto que vegetei durante os últimos dois meses quando tenho estado a planear sem executar, sinto que fiz pouco quando talvez tenha efeito muito. Existem projectos novos e projectos que vão continuar como, entre outros,  é o caso do estoriaseletras, existem formações que vão ser feitas e outras que terão de ser reprogramadas.

 

Existe uma lista de objectivos a cumprir sabendo de antemão que uns vão ser conseguidos, uns abandonados e outros redireccionados.

 

Assim em termos pessoais quero continuar como sou, continuar a acreditar em mim e a viver cada vez mais para os meus. Quero continuar a ser de palavra, a aceitar os outros como são e a evitar juízos de valor quando me chocam. Quero continuar a ver os outros como gostaria que me vissem a mim. Os defeitos vão continuar a ser analisados, pensados e, caso seja possível, aniquilados.

 

E como em casa estamos em obras resolvemos remodelar o Blog (pelo menos aqui é rápido e Barato) mudámos de cara para a versão Outono/Inverno.

publicado por Marta às 11:31
Terça-feira , 07 de Setembro DE 2010

Noticias em Forma de Post

 

Lá por fora e não só porque é dia 7 de Setembro de 2010 temos uma mulher condenada á morte por apedrejamento, temos uma greve em França que está a afectar fortemente os transportes, temos uma revolta contra Paris pela expulsão dos romenos, temos um Paquistão em desespero, temos um Moçambique que continua em desassossego, temos uma Jennifer Aniston com novo namorado e, vamos ter de parar por aqui porque estou a ficar sem fôlego.

 

Cá por dentro temos notícias de escolas que encerram, de festivais do avante, de que o estado poderá ter de pagar as indemnizações de Bibi, Rubem Amorim  e Coentrão continuam condicionados, de uma selecção que em vez de convencer assusta, de que as manas jardim continuam zangadas, e de que Rita Pereira tem novo amor .

 

Cá por casa a apanha da pêra acabou, as compras de início de escola foram feitas e a casa foi desfeita. Cá por casa nós, que nem gostamos de acampar, corremos com os móveis e vivemos entre colchões. Cá por casa ansiamos o depois e divertimo-nos com o hoje. Cá por casa sentimos quer temos menos paciência para quem fala alto para se impor, para quem nos chama de convencidas, para quem nos persegue como se não tivesse vida, para quem nos julga apenas porque sim !!!

 

Eu? Continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo eu mesma.

publicado por Marta às 15:49
Sábado , 04 de Setembro DE 2010

VAMOS ÁS COMPRAS?

Só para lembrar que se podem comprar verdadeiras pechinchas (a minha contribuição também já lá está)

 

Maria e Gato

 

 

 

publicado por Marta às 00:10
Sexta-feira , 03 de Setembro DE 2010

Noticias em Forma de Post

Estamos a 3 de Setembro de 2010, o mundo continua a girar embora á alturas em que penso que o melhor seria parar e reflectir. Lá por fora Obama declara o final da guerra do Iraque, Moçambique está a ferro e fogo e ou muito me engano ou estamos perante mais uma catástrofe ambiental visto que explodiu mais uma plataforma de petróleo, George Clooney está apaixonado por Itália e Campeã da luta contra a lapidação está preocupada com o destino de Ashtiani.

 

Cá por dentro continua-se a atacar o nosso seleccionador nacional, os juízes deram como culpados os arguidos do processo Casa Pia e morreu o antigo jogador do Benfica Fernando Torres. Há escolas que vão encerrar, há fogos por apagar e a selecção nacional começa a fase de apuramento para o euro 2012.

 

Cá por casa estou com a sensação de quem comeu um porco inteiro e fica a promessa de me deixar de bolinhos, à sobremesa. Cá por casa preparo-me, psicologicamente, para as “arrumações” para as obras. A decisão de despachar tudo em que não mexi nos últimos 3 anos está-me a deixar entusiasmada sem perceber porquê ultimamente sinto-me com falta de espaço. Cá por casa continuam a apanha da pêra, os últimos dias de praia, as festas de pijama, bem como a preparação para o ano escolar que se aproxima. O misterioso carpinteiro com quem tenho falado ao telefone afinal é o vizinho da frente e a solução para tapar os azulejos ainda é uma incógnita.

 

Eu? Continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo Eu Mesma.

publicado por Marta às 14:47
Quarta-feira , 01 de Setembro DE 2010

A Maria e o Gato

 

Sou uma mulher de sonhos e uma mulher com sonhos. Acredito que todos os sonhos deveriam ter um final feliz que é o mesmo que dizer que todos os sonhos deviam ser realizados.

 

Nesse sentido hoje falo-vos da Maria e do seu Gato não só porque, tal como já lhe confessei, um dia tive um sonho idêntico mas porque gostei da criatividade, da garra e da vontade de alguém que luta pelo que quer. Mas para perceberem melhor ela conta-vos:

 

 

“Eu tenho um projecto, I have a project, j'ai un plan, tengo un plano… 

 

… ou, dito de outra forma, I have a dream que, para já, passa por Bruges, mais concretamente pelo College of Europe [isto dito assim, caraças, até parece uma cena toda pipi]. Acontece que um Master of Arts in EU International Relations and Diplomacy Studies lá em Bruges é coisa para me deixar penhorada por sete gerações [no mínimo]. Ora como eu não tenho onde cair morta [trabalho para o Estado, está tudo dito!] e estou longe de vir a herdar o que quer que seja, não me resta outra alternativa que não seja vender o recheio da casa. Portanto preparem-se, pessoas! Para além de livros, cds, colchas bordadas à mão, carteiras, frigideiras e panelas, tachos quase a estrear, serviços de loiça, copos e jarros, cristais e porcelanas, isto vai começar a parecer a Feira do Relógio. Preços amigos do cliente, artigos em belíssimas condições [como novo, senão mesmo a estrear], tudo na base da bela da transferência bancária para uma conta destinada para o efeito. O projecto, esse, chama-se: Take us to Bruges [eu e ao gato, of course!] e eu sei que vocês são bem capazes de me ajudarem a lá chegar.”

 

 

As formas de ajudar passam por divulgação, doação de material para o leilão e porque não licitar.

 

Por mim a Maria e O gato já lá estão vai uma ajudinha?

publicado por Marta às 23:24

Personalidade (s)

Saio da conferência com a noção de que existem mentes brilhantes. Penso como deverá ser fascinante desenvolver esta ou aquela investigação e conseguir que a espécie humana evolua mais um pouco apenas por um trabalho que é meu. Penso em todos que ao longo deste processo de evolução da nossa espécie se dedicaram a estudos, combateram dogmas e provaram factos. Penso em todos que ano após ano se esforçaram, para que um dia o conhecimento e a compreensão sobre quem somos chegasse a um hoje com menos dúvidas.

 

A pergunta sobre a personalidade portuguesa que mais admiro ficou-me na cabeça. Entro no táxi e quase automaticamente vou vendo rostos e feitos enquanto tendo definir uma ordem de importância. Classifico-os um a um. Faço-o não apenas pela área em que se destacaram mas também pela forma de estar, ser e mesmo visibilidade pública. Penso na dificuldade que será atribuir prémios para este ou aquele feito. Imagino-me entre o júri dos prémios Nobel. Não deixo de sorrir perante uma mente fértil e uma criatividade sem limites que possuo e sem a qual não sei viver.

 

O trânsito está caótico e as pessoas correm apressadas debaixo de uma chuva que insiste em cair. Reparo na diversidade de fisionomias, nos passos mais ou menos apressados. Na generalidade dos casos são rostos tristes alheados do que os rodeia. Uns caminham sozinhos outros caminham com eles próprios. Cruzam-se sem se ver, contornam-se como se fossem objectos e seguem simplesmente em frente. Rostos !!! Apenas rostos.

 

Pergunto-me de onde virão e para onde caminham. Tento adivinhar vontades e escrutinar sonhos se é que existem sonhos. Tento mas não consigo. Impossível entrar na cabeça de todos, imaginar vidas cujas realidades eu desconheço. Impossível imaginar meios envolventes de rostos sem expressão. Impossível imaginar vidas de rostos que parecem apenas querer sobreviver quando era suposto viver.

 

Olho-os, mais uma vez, enquanto o carro arranca. A pergunta que fiz a mim mesmo encontra finalmente uma resposta. Não posso admirar apenas uma Personalidade Portuguesa. Impossível premiar alguém quando os outros travam uma luta diária entre empregos, transportes, horários, filhos e sobrevivência. Impossível premiar alguém quando há quem tenha deixado de sonhar para conseguir lutar. Impossível premiar alguém quando há tantos a quem as asas foram cortadas face a uma realidade dura e quase sem futuro.

 

Impossível premiar alguém quando existem anónimos a sobreviver quando deviam viver. Impossível designar alguém quando os que admiro são aqueles, os anónimos,  que dia após dia vão construindo vidas perante uma adversidade de elementos. Impossível designar alguém quando, no fundo, me limito a admirar tantos. 

publicado por Marta às 09:14

mais sobre mim

pesquisar

 

Setembro 2010

D
S
T
Q
Q
S
S
1
2
3
4
5
6
7
8
9
18
19
20
22
23
25
26
28
29

posts recentes

últ. comentários

  • Que saudades tinha de ler um texto seu."Apetece-me...
  • Recados Animados de Natal
  • Olá. Tem de aparecer por cá com mais frequência.Fa...
  • Olá Marta!Já tinha notado a tua ausência da blogoe...
  • ... e boa Páscoabeijocas
  • C'est vrai. :)
  • Cantinho,um obrigada pelas tuas palavras... vai no...
  • Acho que todos, inclusivé os políticos precisavam ...
  • E viva a "melice"!!! :-DAdorei a junção das histór...
  • Meu querido ,acredita que estou a retirar um tempi...

mais comentados

arquivos

tags

links

subscrever feeds